O tarifaço imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aos produtos brasileiros acendeu um alerta entre empresários e produtores rurais do interior de São Paulo, estado responsável por aproximadamente um terço das exportações brasileiras.
Municípios cuja economia depende do agronegócio, da indústria de transformação e da produção de alimentos podem sentir os efeitos da perda de competitividade no mercado americano, um dos principais destinos das exportações paulistas. Para piorar, empresários de vários setores estão preocupados com a atitude do governador do Estado, Tarcísio de Freitas, em apoiar as decisões do presidente americano.
O principal concorrente de Tarcísio, o ex-ministro da Fazenda, Fernando Haddad, vê esse “apoio” de Tarcísio como “perigoso” para o futuro do Estado.
Segundo Haddad, o novo tarifaço anunciado por Donald Trump atinge o interior e responsabilizou o governador Tarcísio de Freitas e o senador Flávio Bolsonaro pelo apoio à medida. A declaração foi dada em vídeo publicado nas redes sociais oficiais de Haddad.
“Todas as ações do Trump que têm apoio do Tarcísio de Freitas prejudicam o interior de São Paulo. Todas. (…) “Você nunca vai me ver com o boné do Trump” — Fernando Haddad
A região de Ribeirão Preto, maior polo sucroenergético do país, reúne dezenas de empresas exportadoras de açúcar, etanol e derivados. Já Araraquara, Matão e Bebedouro concentram parte importante da produção de suco de laranja, produto cujo maior comprador histórico é o mercado norte-americano.
Em Franca, o setor calçadista também mantém forte dependência das vendas externas. Em São José dos Campos, empresas da cadeia aeroespacial e de alta tecnologia têm os Estados Unidos entre seus principais clientes. Ele enquadra o apoio ao tarifaço como uma escolha contra os interesses do próprio estado — e, no vocabulário que adota, contra a soberania brasileira.
“Quem vai ser mais prejudicado pelo novo tarifaço do Trump é o interior de São Paulo.” — Fernando Haddad
Economistas avaliam que medidas protecionistas dessa natureza aumentam a insegurança para investidores. Empresas tendem a adiar ampliações de fábricas, contratação de funcionários e novos projetos quando existe incerteza sobre o acesso aos mercados internacionais.
Em um estado cuja economia depende fortemente da indústria e das exportações, a perda de previsibilidade pode reduzir o fluxo de investimentos privados. Haddad sustenta que o setor vive um momento favorável e credita isso à política atual do presidente Lula, citando três frentes:
* o Plano Safra;
* o recorde de produção agrícola, em São Paulo e no país;
* a queda da inflação de alimentos, que ele compara desfavoravelmente ao período do governo Jair Bolsonaro.
Segundo especialistas em comércio exterior, tarifas elevadas reduzem a competitividade do produto brasileiro porque aumentam o custo para o importador americano. Em muitos casos, compradores passam a buscar fornecedores em outros países, provocando queda nas encomendas, redução da produção e adiamento de investimentos.
Entidades como a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e a Confederação Nacional da Indústria (CNI) participaram das discussões junto ao governo americano alertando para os impactos econômicos da medida sobre empresas brasileiras. A preocupação envolve não apenas grandes exportadores, mas também pequenas e médias empresas que integram cadeias produtivas instaladas no interior paulista.
Na leitura de Fernando Haddad, os obstáculos que o agro enfrentava naquele período não existem hoje — e o problema atual vem de fora:
“Hoje o maior problema que a gente enfrenta é a ameaça dos Estados Unidos, com o apoio do bolsonarismo, tanto do Tarcísio quanto do Flávio.” — Fernando Haddad
Transparência
As declarações reproduzidas nesta matéria foram feitas por Fernando Haddad em vídeo publicado em suas redes sociais oficiais. As citações foram transcritas do áudio e receberam ajustes mínimos de pontuação e concordância, sem alteração de sentido. Trechos inaudíveis na gravação não foram reproduzidos.
Donald Trump, Tarcísio de Freitas e Flávio Bolsonaro não se manifestam no vídeo e, portanto, não respondem às afirmações nele contidas. O Radar Brasileiro mantém seus canais abertos para manifestação das partes citadas.