O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, solicitou nesta quinta-feira (10) a retirada do sigilo das investigações do caso Master que tramitam na Corte.
Pelo pedido de Fachin, devem permanecer sob sigilo apenas as informações cuja divulgação possa prejudicar investigações, diligências ou futuras operações relacionadas ao caso.
A medida ocorre em meio à crise instalada dentro do próprio Supremo por causa das investigações envolvendo o Banco Master e das decisões tomadas pelos ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes.
Fachin quer dar publicidade ao conteúdo dos procedimentos para evitar que informações sejam conhecidas apenas por meio de vazamentos ou documentos divulgados de forma isolada.
O caso ganhou novos contornos depois que Mendonça autorizou o acesso a informações obtidas pela Polícia Federal durante as investigações.
Entre os documentos estão mensagens encontradas no celular do banqueiro Daniel Vorcaro, que envolvem autoridades e passaram a provocar forte repercussão dentro e fora do Supremo.
“Tendo em vista a inclusão da Pet 16.662 em calendário de julgamento na sessão extraordinária de 15 de setembro de 2026 e considerando que a Pet 16.662 foi formada a partir da Pet 15.556, solicita-se ao eminente ministro André Mendonça (relator da Pet 15.556), a remessa, em HD próprio, a esta Presidência e aos gabinetes dos eminentes ministros, de todos os procedimentos contidos ou relacionados à Pet 15.556, bem como o levantamento do sigilo da Pet 15.556 (e dos procedimentos nela contidos ou a ela relacionados), ressalvado apenas o que diga respeito a diligências cujo sigilo seja imprescindível à realização da medida”, diz Fachin.
A divulgação desses elementos abriu uma crise entre os ministros. Moraes passou a questionar a atuação de Mendonça na condução das investigações, enquanto a Procuradoria-Geral da República também apresentou questionamentos sobre os procedimentos adotados.
Diante do conflito, Fachin passou a concentrar decisões destinadas a organizar os diferentes procedimentos relacionados ao caso.
Agora, a retirada do sigilo pode colocar no centro do debate todo o material produzido nas investigações do Banco Master.
A intenção é que fique público aquilo que não comprometa novas diligências. Informações que possam atrapalhar operações futuras, segundo o pedido, poderão continuar protegidas.
A abertura dos autos ocorre em um momento de forte pressão por transparência. O caso Master deixou de envolver apenas as suspeitas relacionadas ao banco e passou a atingir diretamente a relação entre ministros do STF, a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República.
A expectativa é que, com a retirada do sigilo, seja possível conhecer oficialmente o conteúdo das investigações e verificar os elementos que estão por trás da disputa entre os ministros.