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PROPAGANDA ENGANOSA: Tarcísio vende um mundo que não é real e prega mentira eleitoral com jovens

Checagem

Governador transforma histórias de alguns milhares de estudantes em peça de marketing político enquanto a esmagadora maioria da rede pública continua fora das oportunidades exibidas pela campanha. Veja o vídeo de Tarcísio falando sobre o estudante que quer estudar em uma universidade. Os selos de "checagem" mostram como o governador de São Paulo adora mentir para conseguir votos.

Tarcísio de Freitas quer transformar programas destinados a uma parcela dos estudantes paulistas em uma espécie de cartão de visitas de seu governo.

O Radar Brasileiro mostra agora como Tarcísio de Freitas faz propaganda para conseguir votos. 

A estratégia é conhecida: colocar jovens diante das câmeras, falar de futuro, intercâmbio, inglês, estágio e primeiro emprego e construir a imagem de um governador moderno, conectado com a juventude e capaz de abrir portas.

O problema é que a propaganda tem uma escala. A realidade tem outra.

Quando os números oficiais são colocados sobre a mesa, a narrativa começa a perder o brilho.

É IASSIM QUE O GOVERNADOR TARCÍSIO DE FREITAS PENSA SOBRE QUEM QUER ESTUDAR:

ANÁLISE DO RADAR SOBRE ESSE VÍDEO DO TARCÍSIO:

Tarcísio prega esse discurso justamente para desacreditar o jovem mais humilde e fazê-lo acreditar que estudar não é caminho para mudar de vida. Quando o acesso à educação é desestimulado, quem já está no topo permanece lá — sem concorrência.

No fim, a lógica é cruel: o filho do empresário ou de uma família rica não precisaria mais disputar espaço com o jovem bolsista, que poderia ocupar a mesma universidade, a mesma profissão e conquistar as mesmas oportunidades. É assim que a desigualdade se perpetua: convencendo quem está embaixo de que não vale a pena tentar chegar ao topo.

Não porque os programas sejam necessariamente ruins. Muito pelo contrário: intercâmbio internacional e experiência profissional podem ser oportunidades extraordinárias.

Mas porque não existe propaganda capaz de transformar uma política destinada a uma parcela restrita dos estudantes em uma política universal.

E é justamente essa diferença que a campanha de Tarcísio prefere não colocar no centro da fotografia.

A propaganda mostra o avião, mas esconde o tamanho da fila

ASSISTA A PROPAGANDA ENGANOSA DO TARCÍSIO NO PROGRAMA ELEITORAL:

O exemplo mais evidente é o Prontos pro Mundo.

O programa oferece formação em inglês e intercâmbio internacional. A imagem é perfeita para uma campanha eleitoral: estudante da escola pública aprendendo outro idioma, viajando para outro país e vivendo uma experiência que dificilmente teria condições de financiar sozinho.

É uma excelente história.

Mas histórias não substituem estatísticas.

Segundo o próprio governo paulista, 70 mil estudantes participam da formação em inglês, enquanto 1.000 recebem bolsas de intercâmbio por ano. Mentiu

É aí que a propaganda precisa ser confrontada.

O governo pode mostrar os 1.000 que embarcaram. Exagerado Enganoso Tendencioso

Mas existe uma pergunta que deveria aparecer em letras grandes na mesma propaganda:

e os outros?  

Porque uma coisa é oferecer uma oportunidade extraordinária a 1.000 jovens.

Outra, completamente diferente, é dizer ou sugerir que isso representa uma transformação da educação paulista.

Não representa.

É uma política focalizada.

E os próprios números oficiais deixam isso evidente.

O truque é transformar exceção em regra

O problema da comunicação política não está em mostrar os estudantes beneficiados.

Eles devem ser mostrados.

O problema está em utilizar essas histórias individuais como se fossem retrato da realidade de toda a rede.

É como fotografar o vencedor de uma corrida e esconder os milhares que sequer chegaram à largada.

O estudante que ganhou o intercâmbio existe.

O benefício existe.

A experiência existe.

Mas também existe uma enorme parcela de estudantes que não terá essa oportunidade.Verdadeiro

E isso não pode desaparecer atrás de vídeos emocionantes, depoimentos cuidadosamente selecionados e imagens de aeroporto.

A política pública precisa ser analisada pelo seu alcance.

E alcance não se mede pela quantidade de vezes que uma propaganda é exibida.

Mede-se pela quantidade de pessoas que efetivamente conseguem acessar o benefício.

R$ 85 milhões e uma pergunta inevitável

O governo paulista informa investimento de R$ 85 milhões no Prontos pro Mundo. Exagerado Enganoso Tendencioso Não é bem assim

O dinheiro público merece respeito.

E dinheiro público exige prestação de contas.

Por isso, a discussão não pode terminar em “olha como esse aluno mudou de vida”.

A pergunta precisa ser muito mais incômoda:

qual é o impacto de R$ 85 milhões sobre o conjunto da educação paulista?

Quanto desse investimento chega ao aluno que não está entre os selecionados?

Quanto chega à sala de aula regular?

Quanto melhora efetivamente o ensino de inglês para quem não embarca?

Quantos estudantes terão acesso a uma formação linguística capaz de mudar suas perspectivas profissionais sem depender de uma seleção altamente restrita?

Essas são perguntas muito mais importantes do que a fotografia do embarque.

E o BEEM?

O mesmo raciocínio vale para o BEEM.

O programa oferece estágio remunerado para estudantes do Ensino Médio Técnico.

Novamente: é uma iniciativa que pode ser extremamente importante para quem consegue uma vaga.

Mas o programa não atende indistintamente todos os jovens da rede estadual.

Seu público é específico: estudantes da formação técnica profissional, especialmente da 2ª e 3ª séries.

O próprio governo paulista informou que o programa havia beneficiado mais de 17,5 mil estudantes Não é bem assim e projetava chegar a 30 mil em 2026.

É um número relevante.

Mas não é a universalização da porta de entrada para o mercado de trabalho.

E é justamente aqui que a propaganda pode induzir o eleitor a uma conclusão maior do que aquilo que os números permitem afirmar.

Uma política para dezenas de milhares não pode ser vendida como se tivesse resolvido o problema de milhões.

O jovem do Ensino Médio regular também existe

Há outro ponto que precisa ser colocado na mesa.

O BEEM é direcionado ao Ensino Médio Técnico.

Isso significa que o jovem matriculado no Ensino Médio regular não está automaticamente dentro dessa política.

Portanto, quando Tarcísio aparece conversando com jovens e apresentando programas de empregabilidade como demonstração de uma política ampla para a juventude, o eleitor precisa saber exatamente quem pode entrar e quem fica de fora.

Não é detalhe.

É a diferença entre uma política universal e uma política focalizada.

Meritocracia como vitrine

Há ainda uma questão política mais profunda.

Programas baseados em desempenho, frequência e seleção podem criar oportunidades legítimas. Mas, quando o Estado oferece uma quantidade muito limitada de vagas e transforma a competição por elas em principal porta de acesso, surge uma pergunta incômoda:

o governo está reduzindo desigualdades ou selecionando os poucos que já conseguem cumprir todos os requisitos?

Essa discussão precisa ser feita com seriedade.

Um estudante que trabalha, enfrenta dificuldades familiares, tem problemas de transporte ou vive em uma região com menor oferta de oportunidades pode ter uma trajetória escolar completamente diferente daquela de um aluno que dispõe de maior suporte.

Isso não significa que os critérios sejam ilegítimos.

Significa que meritocracia sem discutir as condições de partida pode produzir uma fotografia enganosa da igualdade de oportunidades.

Tarcísio não pode confundir campanha com balanço de governo

É aqui que a estratégia de comunicação do governador merece ser questionada com mais força.

A campanha pode construir a imagem de Tarcísio como o governador que “abre portas”.Enganoso

Mas o jornalismo precisa perguntar:

para quantos?

Pode mostrar o estudante que foi para o exterior.

Mas precisa informar quantos ficaram.

Pode mostrar o jovem que conseguiu estágio.

Mas precisa informar quem não teve acesso.

Pode falar em oportunidade.

Mas precisa revelar o tamanho da oportunidade.

A matemática é menos emocionante que a propaganda

O problema é que a matemática não produz o mesmo efeito de um vídeo de campanha.Verdadeiro

Uma câmera acompanha o jovem até o aeroporto.Enganoso

A música sobe.Enganoso

A família se emociona.Enganoso

O estudante fala sobre o futuro.Exagerado

E pronto: nasce uma narrativa de sucesso.Mentiu

Só que a administração pública não pode ser avaliada pela trilha sonora.

É preciso olhar os números.

E os números oficiais contam uma história muito mais modesta.

O Prontos pro Mundo pode mudar a vida de quem consegue o intercâmbio.

O BEEM pode ajudar milhares de jovens a entrar no mercado de trabalho.Verdadeiro

Mas isso não autoriza ninguém a apresentar essas iniciativas como se tivessem solucionado os problemas estruturais da educação ou da empregabilidade juvenil em São Paulo.

Não solucionaram.

A pergunta que a campanha não pode fugir

Tarcísio tem todo o direito de apresentar suas realizações.

Mas o eleitor paulista também tem direito de receber a informação completa.

Não basta dizer:

“Nós criamos o programa.”

É preciso dizer:

quantos entraram?

Não basta dizer:

“Nós levamos jovens para o exterior.”

É preciso dizer:

quantos ficaram sem essa oportunidade?

Não basta dizer:

“Nós aproximamos o estudante do mercado de trabalho.”

É preciso dizer:

quantos estudantes do Ensino Médio estão efetivamente contemplados?

E, principalmente:

qual foi o impacto mensurável sobre a rede inteira?

Porque governar não é produzir bons exemplos para a propaganda.

Governar é fazer com que bons exemplos deixem de ser exceção.

A propaganda é grande. A política, nem tanto.

É esse o ponto que a campanha de Tarcísio precisa enfrentar.

Os programas podem ser bons.

Os estudantes beneficiados podem estar felizes.

As experiências podem ser transformadoras.

Nada disso está em discussão.

Sobre o autor Maicon Mendes Redação · Radar Brasileiro

Jornalista com trajetória construída nos principais grupos de comunicação do país, como Grupo Globo, SBT, Record, Band, Jovem Pan News, RedeTV! e Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo. Ao longo da carreira, atuou como apresentador de telejornais, repórter investigativo e enviado especial na cobertura dos principais acontecimentos do país, acompanhando de perto temas de interesse público nas áreas de política, economia, cidades e atualidade. Sempre se destacou com fatos exclusivos envolvendo os bastidores da notícia.

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