O candidato ao governo de São Paulo Fernando Haddad (PT) elevou o tom nesta terça-feira (8) ao comentar a crise envolvendo o Banco Master, o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, as investigações da Polícia Federal e a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro (PL).
Em uma declaração contundente, Haddad afirmou que a população precisa olhar para o caso não apenas pelo que já veio a público, mas também pelo que ainda permanece sob sigilo. O petista fez uma previsão política direta sobre o futuro de Vorcaro caso Flávio Bolsonaro chegue à Presidência da República.
“Você pode ter certeza no que eu vou te dizer, na hipótese do Flávio Bolsonaro ser eleito, o Vorcaro não fica na cadeia.”
Na avaliação de Haddad, a própria existência da investigação e a atuação das instituições durante o governo Lula demonstrariam, segundo ele, uma diferença fundamental em relação ao governo Jair Bolsonaro.
O argumento de Haddad é que o Banco Central e a Polícia Federal, durante o atual governo, atuaram diante das suspeitas envolvendo o conglomerado financeiro. O Banco Central efetivamente determinou a de instituições ligadas ao grupo Master, enquanto a Polícia Federal conduziu investigações relacionadas ao caso.
A partir daí, Haddad fez uma afirmação ainda mais enfática sobre o que poderia ter acontecido caso Jair Bolsonaro tivesse sido reeleito em 2022.
“Você pode anotar o que eu tô falando: o banco Master não seria liquidado se o Bolsonaro pai tivesse sido reeleito. Não seria liquidado, ia continuar roubando como roubou durante o governo dele inteiro, sem ninguém fazer nada.”
O caso também ganhou dimensão eleitoral por causa da relação investigada entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro no episódio conhecido como Dark Horse, relacionado ao financiamento de um filme sobre Jair Bolsonaro.
Mensagens e áudios divulgados ao longo do ano mostram Flávio negociando recursos com Vorcaro para a produção.
É nesse ponto que Haddad direciona sua principal cobrança: transparência.
“E se ele, o Flávio Bolsonaro, for eleito, o Vorcaro não fica na cadeia. Eles vão é combinar o que fazer com os quarenta bilhões que estão fora do Brasil em nome sabe Deus de quem.”
Haddad prosseguiu sobre os recursos que, segundo ele, estariam no exterior:
“Quarenta bilhões dos brasileiros estão fora do Brasil em nome de fundos que são geridos pelos laranjas do Vorcaro.”
Fernando Haddad faz uma cobrança para que os órgãos responsáveis esclareçam a movimentação financeira relacionada ao caso.
“Cadê esse dinheiro? Porque que esse dinheiro não volta?”
O candidato também colocou o inquérito relacionado ao financiamento do filme Dark Horse no centro de sua cobrança política.
“Porque que o inquérito do Dark Horse não tem o seu sigilo levantado? É o único inquérito importante pra política, pra política é o inquérito mais importante.”
A cobrança ocorre em um momento em que o caso Master e as investigações envolvendo Vorcaro passaram a ocupar espaço crescente na campanha eleitoral.
Dark Horse se tornou um dos principais pontos de pressão sobre a candidatura de Flávio Bolsonaro.
Haddad terminou sua explicação com uma pergunta dirigida às instituições e, sobretudo, à sociedade:
“E por que que não quebra um sigilo pra gente saber o que está acontecendo?”
Para Haddad, não basta que candidatos apresentem versões políticas sobre o Banco Master. É preciso que documentos, movimentações financeiras e investigações sejam esclarecidos antes que o eleitor brasileiro seja chamado às urnas.
E é justamente esse ponto que Haddad tenta colocar no centro do debate: antes de votar, a sociedade precisa saber o que está sendo investigado, quem aparece nas investigações e, principalmente, o que ainda permanece sob sigilo.