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Lula não poupa Flávio Bolsonaro em entrevista e abre o jogo sobre Vorcaro e o STF

Brasil

Presidente também falou sobre fome, economia, racismo, violência política, redes sociais e afirmou que o eleitor precisa decidir que país quer construir. Em conversa com Cauê Moura e Load, presidente rebateu acusações da família Bolsonaro, cobrou explicações sobre a relação de Flávio com Daniel Vorcaro e falou sobre STF, democracia, economia e os principais embates da eleição de 2026.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participou de uma longa entrevista ao podcast Desce a Letra Show, apresentado por Cauê Moura e Load, em uma conversa que percorreu os principais assuntos da campanha presidencial e os conflitos institucionais que dominam o debate político brasileiro.

Entre os temas de maior repercussão estiveram o caso Banco Master, o empresário Daniel Vorcaro, o senador Flávio Bolsonaro (PL), o ministro Alexandre de Moraes, a crise de credibilidade do Supremo Tribunal Federal (STF), a necessidade de reformas no Judiciário e na política, além de economia, fome, emprego, racismo e violência política.

Banco Master e Vorcaro entram no centro da entrevista

Um dos momentos mais duros da entrevista ocorreu quando Lula foi questionado sobre a crise envolvendo o Banco Master e as suspeitas relacionadas a mensagens e contatos entre Daniel Vorcaro e integrantes do Judiciário.

O presidente afirmou que as investigações precisam alcançar qualquer pessoa eventualmente envolvida, independentemente do cargo que ocupe.

“Todo mundo que cometeu erro em qualquer área deve ser julgado. Isso vale para mim, para o Moraes, para o Fachin.”

Ao mesmo tempo, Lula voltou a direcionar críticas a Flávio Bolsonaro e cobrou explicações sobre os recursos atribuídos a Vorcaro para a produção do filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro.

Segundo Lula, o senador deveria explicar sua relação com o empresário em vez de concentrar seus ataques contra Alexandre de Moraes.

O presidente também afirmou que a reação de Flávio contra Moraes não estaria relacionada exclusivamente ao Banco Master. Na avaliação de Lula, a origem do conflito estaria na atuação do ministro em processos envolvendo Jair Bolsonaro, os atos de 8 de janeiro e as investigações sobre o assassinato de Marielle Franco.

“A raiva dele com Alexandre de Moraes é porque Moraes mandou prender o pai dele e os golpistas do 8 de Janeiro.”

Lula também acusou Flávio de estar preocupado com possíveis revelações relacionadas a Vorcaro e mencionou valores que, segundo as investigações e documentos citados no debate político, teriam sido solicitados para o projeto cinematográfico. O senador nega irregularidades e afirma que não há nada de ilícito no filme.

Lula tenta separar seu governo de Alexandre de Moraes

Outro ponto central da entrevista foi a tentativa de Lula de afastar a associação política entre seu governo e Alexandre de Moraes.

O presidente lembrou que Moraes chegou ao STF em 2017, durante o governo Michel Temer, e que ele próprio não ocupava a Presidência da República naquele momento.

“Eu não era presidente quando Alexandre de Moraes foi indicado para a Suprema Corte.”

A informação é relevante porque a indicação de Moraes ocorreu em fevereiro de 2017, durante o governo Temer. O nome foi aprovado pelo Senado por 55 votos a 13.

“A obsessão deles é pegar o Alexandre de Moraes. Mas eles não querem brigar com o Alexandre pelo Banco Master. Não é por isso que eles tem raiva. Ele [Flávio Bolsonaro] tem rabo preso ao Banco Master mais do que qualquer outra pessoa. A raiva dele do Alexandre é porque o Moraes mandou prender o cara que mandou matar a Marielle, ele tem raiva porque o Moraes mandou prender o pai dele e os golpistas do 8 de Janeiro”.

Naquele período, Flávio Bolsonaro ainda era deputado estadual no Rio de Janeiro e só assumiria o mandato de senador em 2019.

Apesar de defender que eventuais irregularidades sejam investigadas, Lula voltou a elogiar a atuação de Moraes durante o período em que o ministro presidiu o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), especialmente diante dos ataques contra o sistema eleitoral em 2022.

“(…) prestou grandes serviços à democracia brasileira quando esteve à frente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral)”.

Presidente cobra atuação de Fachin no caso Master

Lula também citou o presidente do STF, Edson Fachin, e afirmou que a Corte precisa impedir que a crise envolvendo o Banco Master contamine o processo eleitoral.

Segundo o presidente, cabe ao Supremo garantir que as investigações sejam conduzidas de maneira transparente e que o caso não seja transformado em instrumento de disputa eleitoral.

“O presidente Fachin tem a responsabilidade de fazer com que isso não atrapalhe o processo eleitoral.”

A declaração ocorreu um dia depois de uma sessão extraordinária do STF destinada a discutir o relatório da Polícia Federal envolvendo mensagens entre Moraes e Vorcaro. A sessão terminou sem uma decisão definitiva sobre a abertura de investigação contra o ministro, após pedido de vista de Flávio Dino.

Reforma do Judiciário e da política

Diante da crise envolvendo o Supremo, Lula defendeu mudanças estruturais no sistema político e no Judiciário.

O presidente afirmou que a atual situação exige uma discussão sobre critérios, funcionamento das instituições e mecanismos de responsabilização.

“O que não dá é para a sociedade ficar assistindo a esse denuncismo […], a sociedade atônita ouvindo isso todo santo dia. O presidente Fachin tem a responsabilidade de não permitir que isso atrapalhe o processo eleitoral, porque as pessoas que criaram o Banco Master foram eles”, 

Na entrevista, Lula também reconheceu que existem críticas à atuação do Judiciário e disse que a imagem da instituição não atravessa um bom momento.

“Acho que o que está acontecendo na Suprema Corte não é uma coisa boa, porque significa que aquele mafioso chamado Vorcaro envolveu todo mundo”, declarou.

Lula afirmou que a reforma deveria buscar modificar o funcionamento do sistema político e recuperar a confiança da população nas instituições.

“Agora, a gente vai saber quem é que estava com mulher, quem é que fez suruba. É uma orgia pura. Está todo mundo na expectativa: por que esses caras fizeram tudo isso? Tudo isso vai aparecer agora. É importante que apareça para a gente poder limpar este país. A Suprema Corte não pode ter a sua vida manchada”.

Economia, fome e preço dos alimentos

A economia também ocupou espaço importante na conversa.

Questionado sobre fome e inflação dos alimentos, Lula defendeu o aumento da produção agrícola, principalmente por pequenos e médios produtores, além de políticas de financiamento e recuperação da renda.

O presidente citou medidas adotadas em seus governos anteriores e afirmou que o crescimento econômico precisa estar associado ao aumento do poder de compra da população.

“Você precisa financiar mais a pequena e média agricultura que aqui produz alimento nesse país.”

Lula também mencionou a atuação da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e defendeu a formação de estoques reguladores como instrumento para enfrentar períodos de escassez e pressão sobre os preços.

Na avaliação apresentada durante a entrevista, aumentar a oferta de alimentos e ampliar a renda dos trabalhadores seriam mecanismos fundamentais para combater a fome.

Emprego e programas sociais

Em outro momento, Lula falou sobre emprego, salário mínimo, aposentadorias, pequenos empreendedores e políticas habitacionais.

O presidente afirmou que, caso permaneça no governo, pretende recuperar políticas sociais e ampliar programas voltados à população de menor renda.

Ele citou o Minha Casa, Minha Vida e afirmou que seu governo contratou milhões de unidades habitacionais, além de destacar a necessidade de ampliar emprego formal e renda.

Lula apresentou sua visão de que o crescimento econômico deve ser acompanhado por políticas de distribuição de renda.

Racismo e violência

A entrevista também abordou o aumento da intolerância e de episódios de violência e racismo no país.

Lula defendeu punições para quem pratica racismo e afirmou que a legislação precisa ser aplicada com rigor.

Ao comentar episódios recentes de agressões e preconceito, o presidente defendeu que o combate ao racismo não fique restrito ao discurso.

“As pessoas que praticam o racismo têm que ser punidas. E a punição tem que ser dura.”

Lula relacionou o crescimento da intolerância à radicalização do ambiente político e afirmou que o país precisa recuperar uma cultura de convivência entre adversários.

Violência política e polarização

A polarização também foi um dos pontos mais explorados durante a entrevista.

Lula afirmou que considera a eleição de 2026 particularmente marcada pela violência e pela intolerância e comparou o cenário brasileiro ao ambiente político observado nos Estados Unidos.

O presidente associou a radicalização ao crescimento das fake news e ao uso das redes sociais para disseminar informações falsas.

Na entrevista, ele também afirmou que a política brasileira deixou de tratar adversários como adversários e passou, em muitos casos, a tratá-los como inimigos.

O presidente sustentou que essa mudança de comportamento representa um risco para a convivência democrática.

Trump e a influência da extrema direita

Lula voltou a mencionar Donald Trump ao discutir a radicalização política.

Segundo o presidente, o fenômeno da polarização não é exclusivamente brasileiro e apresenta paralelos com o cenário político norte-americano.

Sobre o autor Maicon Mendes Redação · Radar Brasileiro

Jornalista com trajetória construída nos principais grupos de comunicação do país, como Grupo Globo, SBT, Record, Band, Jovem Pan News, RedeTV! e Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo. Ao longo da carreira, atuou como apresentador de telejornais, repórter investigativo e enviado especial na cobertura dos principais acontecimentos do país, acompanhando de perto temas de interesse público nas áreas de política, economia, cidades e atualidade. Sempre se destacou com fatos exclusivos envolvendo os bastidores da notícia.

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