O Radar Brasileiro recebeu uma informação exclusiva de dentro da alta cúpula da campanha de Flávio Bolsonaro de que o clima era de forte apreensão em Juiz de Fora nesta quarta-feira (9), poucas horas depois de o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, homologar a de Antônio Carlos Freixo Júnior, o “Mineiro”.
A informação chegou ao conhecimento do jornalista Maicon Mendes, às 18h06.
A reportagem entrou em contato com Karina da Gama pelo menos cinco vezes. Nem mesmo a defesa dela respondeu as ligações.
Segundo a apuração exclusiva do Radar Brasileiro, Karina Ferreira da Gama, empresária e produtora de Dark Horse, teria ameaçado deixar o Brasil diante do avanço das investigações e da homologação da delação premiada.
A informação é explosiva porque ocorre justamente no dia em que a colaboração de Mineiro passou a ter validade jurídica e suas declarações podem ser utilizadas oficialmente no inquérito que investiga o caminho do dinheiro relacionado ao filme.
E o ponto mais sensível está no dinheiro repassado ao candidato Flávio Bolsonaro.
O CAMINHO DO DINHEIRO ATÉ O FILME

Mineiro revelou às autoridades que atuava como operador financeiro de Daniel Vorcaro, realizando movimentações determinadas pelo ex-banqueiro.
Entre os repasses está o dinheiro enviado ao Havengate Development Fund, nos Estados Unidos, fundo utilizado para financiar Dark Horse, filme sobre Jair Bolsonaro.
Segundo informações divulgadas nesta quarta-feira, Mineiro teria enviado mais de US$ 12 milhões, cerca de R$ 61 milhões, ao fundo. Os recursos foram movimentados por meio da Entre Investimentos e Participações, empresa que, segundo as investigações, funcionava como braço operacional de Vorcaro.
A revelação muda o peso da investigação.
Não se trata mais apenas de descobrir quem financiou o filme. A questão agora é reconstruir toda a rota do dinheiro: quem pediu, quem transferiu, quem recebeu e quem efetivamente se beneficiou dos recursos.
A própria investigação já havia identificado o Havengate como destino de recursos ligados a Vorcaro. O fundo é administrado por Paulo Calixto, advogado ligado a Eduardo Bolsonaro.
KARINA NO CENTRO DA PRESSÃO

Karina Ferreira da Gama é dona da Go Up Entertainment, produtora responsável por Dark Horse. Ela também é alvo de uma investigação em São Paulo relacionada ao Instituto Conhecer Brasil, entidade comandada por ela.
A Polícia Civil realizou buscas na casa de Karina e em endereços ligados às empresas e entidades sob seu comando durante investigação sobre suspeitas de irregularidades em contratos públicos.
Mais recentemente, a Justiça de São Paulo questionou a Polícia Civil sobre os elementos utilizados para pedir acesso aos dados financeiros sigilosos da empresária.
Agora, justamente quando Mendonça homologa a delação de quem participou da movimentação financeira que levou milhões ao fundo utilizado no filme, a situação ganha uma nova dimensão.
Além do filem Dark Horse, Karina da Gama também está envolvida em outro filme que nunca saiu do papel. O Radar Brasileiro mostrou com exclusividade: R$ 1 milhão enviado por Marcos Pollon entrou no governo Tarcísio para financiar um projeto ligado a Karina da Gama, produtora de “Dark Horse”, mas o filme nunca saiu do papel; o dinheiro não chegou à produtora e o destino final da verba permanece sem comprovação pública — deixando Tarcísio diante de uma pergunta incômoda: onde foi parar o dinheiro?
O Radar Brasileiro mostrou como era a relação: Tarcísio, Vorcaro e a rede que atravessa campanha, Nova York, Dark Horse e o STF
ALERTA NOS AEROPORTOS

Segundo a informação exclusiva recebida pelo Radar Brasileiro, a Polícia Federal teria tomado conhecimento da possibilidade de uma saída de Karina do país e emitido um alerta para os aeroportos, abrangendo voos nacionais e internacionais.
A informação foi repassada dentro do contexto de preocupação provocado pela possibilidade de uma eventual saída da empresária. O alerta de possível fuga foi confirmado pelo departamento de comunicação da Polícia Federal, no Rio de Janeiro.
O Radar Brasileiro trata essa informação como apuração exclusiva de fonte, e não como comunicado público da Polícia Federal.
O QUE A DELAÇÃO PODE REVELAR

A homologação de Mendonça permite que as informações prestadas por Mineiro sejam utilizadas no processo que investiga os repasses relacionados ao filme.
O empresário também relatou operações consideradas “não ortodoxas”, incluindo remessas sem lastro e obtenção de dinheiro em espécie a mando de Vorcaro.
Segundo as informações divulgadas sobre a colaboração, Mineiro teria inclusive relatado a entrega de dinheiro vivo transportado em malas.
O próprio delator, porém, afirma não saber qual teria sido a destinação final de todo o dinheiro movimentado por Vorcaro.
A homologação ocorre em um momento especialmente delicado para o grupo político ligado ao filme. Flávio Bolsonaro negociou com Vorcaro um financiamento de R$ 134 milhões, dos quais pelo menos R$ 63,7 milhões já haviam sido repassados, segundo informações divulgadas nesta quarta-feira.
Agora, a delação de Mineiro coloca o dinheiro no centro da investigação.
FLÁVIO BOLSONARO E MARIO FRIAS ESTÃO NA MIRA DA PF

A delação de Mineiro também coloca o deputado federal Mario Frias em uma posição politicamente delicada.
Ligado ao projeto de Dark Horse, Frias passa a enfrentar uma questão que não pode ser empurrada para debaixo do tapete: qual era exatamente o seu papel na articulação do filme e o que ele sabia sobre a origem e a movimentação dos recursos utilizados na produção?
A situação fica ainda mais desconfortável porque a investigação agora avança justamente sobre a engenharia financeira que levou dinheiro até o Havengate Development Fund, nos Estados Unidos, apontado como estrutura utilizada no financiamento do longa.
O senador Flávio Bolsonaro participou das negociações financeiras relacionadas ao projeto, mas não apresentou, até aqui, uma explicação pública suficientemente detalhada sobre a destinação dos valores envolvidos.